domingo, 29 de maio de 2011

Tecnologia a seu favor-Integração

  Em escolas que não podem contar com os profissionais da psicologia e da assistência social, torna-se necessário que o professor da educação especial oriente os pais a procurar esses serviços na comunidade, ou então assuma algumas das funções abaixo descritas. Nesse sentido, é importante que tomem ciência do que se passa com a família de um surdo.


Serviços Tecnológicos
  • Área da eletrônica
   Certas tarefas diárias, como atender o interfone ou a campainha da porta, ou levantar na hora certa, causam problemas aos portadores de deficiência auditiva. Já existem, porém, no Brasil ou no exterior, dispositivos eletrônicos que facilitam suas vidas, como:
    • adaptadores que fazem luzes piscarem ou suportes especiais que vibram quando a campainha toca;
    • despertadores ligados a um dispositivo, colocado sob o colchão ou o travesseiro, que  vibra para despertar a pessoa;
    • telefones equipados com um amplificador ou sistemas de circuito, que podem ser ligados ao aparelho de surdez;
    • adaptador para a visualização de dados, que ligado ao aparelho telefônico possibilita ao usuário ver a informação de um telefonema numa tela de televisão;
    • legendas na TV;
    • berço com auto-falante;
    • aparelhos de rádio FM na sala de aula;
    • mascaradores de zumbidos;
    • fones de ouvido ou pontos de escrita miniaturizados que podem ser conectados diretamente em muitos aparelhos de TV;
    • outros.
     No que se refere a dispositivos, equipamentos que facilitam a vida de pessoas com problemas auditivos, destacam-se os aparelhos de amplificação sonoral individual  AASI.
Cabe ao audiologista prestar esclarecimentos e recomendações aos pais quanto aos modelos de aparelhos de amplificação sonora individual.   
      1 - Aparelho “de caixa” - Indicado por estimular simultaneamente os dois ouvidos. O aparelho deverá:
  • proporcionar ganho acústico adequado à perda auditiva;
  • ter durabilidade;
  • ter resistência;
  • ter amplo espectro de freqüência, destacando as mais graves.
    Assistência técnica competente e de qualidade deverá ser oferecida pela empresa fornecedora do aparelho.
    2 - Aparelho retroauricular - Indicado por ter amplificação adequada à perda auditiva, ter efeito estereofônico (possibilita a localização de sons) e provocar efeito estético positivo.
Obs.: É necessário que o educando receba orientação e acompanhamento, por parte do médico, do fonoaudiólogo e de um técnico em eletrônica, de modo a facilitar a adaptação, o bom uso e a manutenção de seu aparelho de amplificação sonora individual. Caso contrário, a ação educativa, embora não seja impedida totalmente, pode sofrer sérias limitações.
    A ação educativa conta também com o apoio da área da informática.
    A utilização de computadores para melhorar o desempenho lingüístico (estruturação frasal) das pessoas surdas já é uma realidade em vários estados brasileiros.
2.3. Serviços Psicológicos e de Assistência Social
Objetivos do atendimento psicossocial:
  • informar e orientar os pais (família) acerca das questões relativas à surdez;
  • levar a família a refletir sobre a importância de sua participação no processo de desenvolvimento da criança surda;
  • assistir à família em suas necessidades psicossociais.
Ações desenvolvidas pela equipe psicossocial:
  • detalhar para a família o resultado do diagnóstico médico e fonoaudiológico;
  • prestar atendimento às famílias, a partir de seu referencial, de sua realidade, observando suas condições socioeconômicas e culturais e sua disponibilidade para participar da educação da criança. Levar em consideração o seu aspecto emocional sem pré-julgamentos e sem o estabelecimento de padrões ou valores sociais;
  • analisar e estudar os problemas de cada família: sentimentos de rejeição, medo, culpa, incerteza, ressentimentos, estresse e ansiedade;
  • participar da reflexão sobre a crise familiar e sua problemática, agravada (de forma muito negativa) no momento sociopolítico, econômico e cultural que o País vivencia;
  • esclarecer à família quanto à sua real importância no processo de formação de seu filho, como sujeito do mundo;
  • procurar envolver todos os membros da família na educação da criança, para que todos participem da busca e da conquista tanto de seus direitos e deveres, quanto da exigência dos direitos e deveres do surdo;
  • alargar o campo de ação da família, tornando-a mais responsável pelo filho e orientadora básica de sua educação, evitando negar-lhe qualquer tipo de informação;
  • conduzir a família de forma que ela encontre suas próprias soluções, e defina escolhas e condutas a partir de suas próprias deduções;
  • trabalhar em parceria com as famílias em busca de:
    • recursos financeiros para a aquisição de aparelho de amplificação sonora individual para as crianças - equipamentos;
    • elaboração/confecção de material didático, brinquedos adequados e montagem de tarefas que possam ser realizadas, em casa, pela criança;
    • melhoria no atendimento educacional como meio do crescimento, amadurecimento e conscientização do papel da família no processo educacional;
  • propiciar troca de experiências entre as famílias, com vistas ao crescimento de seus membros, possibilitando-lhes a descoberta de soluções mais práticas;
  • apresentar a filosofia, a metodologia e a dinâmica do trabalho utilizada pela instituição;
  • conduzir a família a uma visão clara, do processo educacional e suas etapas, esclarecendo-a quanto à etapa de desenvolvimento em que sua criança está inserida;
  • apontar os recursos físicos, materiais e humanos da instituição;
  • informar a família quanto aos objetivos a serem alcançados pela criança, no atendimento educacional, em conformidade com sua individualidade e potencialidade;
  • interagir com os pais, como facilitadora do processo educacional, como cobradora de posturas adequadas, como instrumentalizadora e mediadora dos mecanismos de desenvolvimento da criança;
  • procurar suprir necessidades emergenciais da família quanto a:
    • problemas emocionais (desabafos, questionamentos) e estruturais;
    • aquisição da carteira de passe-livre como acompanhante;
    • problemas de ordem técnica e jurídica;
    • informações a respeito da extensão da problemática da surdez;
  • repassar às famílias valores positivos que devem estar margeando e se infiltrando no processo da formação da criança surda;
  • desenvolver Programa de Orientação aos Pais, atendendo às seguintes propostas:
    • realização de entrevista para anamnese inicial;
    • coleta de documentação e dados para o mapeamento da situação socioeconômica da família;
    • convite aos pais, famílias, amigos, vizinhos para se engajarem no trabalho, como co-reabilitadores do surdo, visto que nenhum profissional da educação terá mais contato com a criança que a própria família;
    • organização de grupos de pais para estudo de apostilas, apresentadas a partir do primeiro contato da família com a escola, em reuniões semanais. Essas apostilas devem abordar, dentro de um enfoque psicossocial, os seguintes tópicos:
  •  informações gerais sobre surdez; 
  •  comunicação do/e com o surdo; 
  •  psicologia do surdo;  
  • sugestões de atividades a serem desenvolvidas na vida diária; 
  •  sugestões de atividades a serem desenvolvidas durante as brincadeiras espontâneas da     criança;  
  • sugestões para a confecção de brinquedos e jogos com vistas à participação da família na educação do filho;  
  • sugestões de atividades específicas que visam à preparação da fala;  
  • confecção de diário, para acompanhamento do desenvolvimento da criança;  sugestões para confecção de álbuns de figuras, para fixação de conceitos e experiências, a partir do interesse da criança.
          Ajustar o programa de orientação aos pais em conformidade com suas necessidades, introduzindo conteúdos acerca:
      • do perigo da família tornar-se um foco de pulsões destrutivas e autopunitivas, violentamente acentuadas por ocasião do nascimento da criança surda e pelo sentimento de incapacidade de interagir normalmente com ela;
      • da desestruturação familiar que pode ocorrer por ocasião do diagnóstico médico;
      • das funções criativas de suporte e de estimulação das potencialidades da criança surda, para que se tornem agentes do desenvolvimento do filho;
      • de valores positivos como: coragem, realismo, autoconfiança, apoio e entusiasmo, que provocam mudanças de atitudes frente ao desafio que é a educação de um filho surdo;
      • do papel da família no processo de interação e integração social do filho surdo.
    Estratégias utilizadas pela equipe psicossocial:
    •  interatividade permanente por meio de :
      •  reuniões semanais, mensais e semestrais;
      •  troca de experiências;
      •  debates sobre:
         práticas pedagógicas;  atividades da vida diária;  o conteúdo teórico do Programa de Orientação a Pais, e  avaliação do trabalho técnico e individual;
    • atendimento individualizado a cada família.

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